Joyceana 2019

Nos dias 17 e 18 de junho de 2019 ocorrerá na Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro a 1a. Joyceana, evento dedicado à obra de James Joyce, visando reunir pesquisadores dos mais diversos campos que trabalham com ou circulam ao redor da obra do autor, permitindo trocas a partir de uma reflexão específica e concentrada no corpus joyceano. A Jornada é promovida pelo PPG em Ciência da Literatura da UFRJ e pelo Projeto Fortuna —Laboratório de Edição do PPG. Pesquisadores estão convidados a enviar resumos, até 01 de junho, através do formulário na página do evento ou pelo e-mail joycianafortuna@gmail.com. Pedimos resumos com o máximo de 500 palavras para comunicações de até 30 minutos. Incluir também cinco palavras-chave. Pode-se incluir bibliografia após o resumo, caso se deseje. No caso de envio por e-mail, indicar no campo ‘assunto’ da mensagem ‘resumo joyceana 2019’, incluindo o nome do autor, título do trabalho e instituição a que pertence além das palavras-cheave. Inscrições para ouvintes podem ser feitas pelo mesmo formulário até o dia do evento. Haverá seleção dos trabalhos por um comitê científico. Este ano teremos como conferencista Vitor Alevato do Amaral (UFF). Dúvidas remeter a joycianafortuna@gmail.com

Comitê Organizador

Leonardo Alves de Lima (UFRJ)
Ricardo Pinto de Souza (UFRJ)

Comitê Científico:

AVitor Alevato do Amaral (UFF), Ricardo Pinto de Souza (UFRJ), Piero Eyben (UNB), Flavia Trocolli (UFRJ)

joyce caminhando

Joyceana 2019

Encontro de pesquisadores de James Joyce

17 e 18 de junho

Programação

Faculdade de Letras da UFRJ ― Auditório E3

Av. Horácio Macedo, 2151 ― Cidade Universitária, Rio de Janeiro

Comitê Organizador

Leonardo Alves de Lima (UFRJ)
Ricardo Pinto de Souza (UFRJ)

Comitê Científico:

AVitor Alevato do Amaral (UFF), Ricardo Pinto de Souza (UFRJ), Piero Eyben (UNB), Flavia Trocolli (UFRJ)

17/06 | segunda-feira

14:30

Conferência

“Rivera in Januero”: traduções de Finnegans Wake no Brasil

Vitor Alevato do Amaral (UFF, líder do grupo de pesquisa Estudos Joyceanos no Brasil)

16h

Correspondências da escrita joyceana

Rangel Gomes Andrade (UNESP/Araraquara)

RETRATO DO MISSIVISTA QUANDO JOVEM: PERSONAS EPISTOLARES NA CORRESPONDÊNCIA AMOROSA DE JAMES JOYCE

A correspondência amorosa de James Joyce endereçada a Nora Barnacle, de marcante teor erótico, data do primeiro decênio do século XX e integra o quadro dos escritos de juventude do autor irlandês. Durante esse período, Joyce experimentava com as formas literárias a fim de encontrar e afirmar sua dicção autoral. Nesse contexto, sua correspondência amorosa acaba também por se tornar uma espécie de laboratório de escrita (DIAZ, 2016) do autor. Nela, Joyce joga com as convenções literárias finisseculares e assume máscaras ou personas epistolares. Ao mesmo tempo, ele transfigura sua correspondente em personagem de suas fantasias e devaneios sexuais, tornando-a uma figura ambígua, sedutora e misteriosa. Este trabalho objetiva, então, analisar as personas evocadas por Joyce em sua produção epistolar, como as figuras do outsider e do dândi, no caso do autor, e, no caso de Nora, a imagem da femme fatale, figura literária do fin de siècle.

Christian Gustavo Zukoski Gabrielli (UFRJ)

"Um riocorrente em Pyndorama - Riverão Sussuarana: uma invenção joyceana"

1978. È publicado no Brasil, pela editora Record, o livro “Riverão Sussuarana”, de Glauber Rocha. Livro inovador, esteticamente transgressor e de uma criatividade extrema. Misturando prosa, poesia, prosa-poética, cinema (prosa cinematográfica – montagem, planos, ângulos, enquadramentos, cortes, tempos diversos), música, teatro, cordel, cantadores – Glauber reinventa todas essas possibilidades, unindo-as em um único livro. Um “re-cordel”, uma “renovela” joyceana. Uma desnovela. Um livro de invenção, que ainda hoje permanece desconhecido.
Partindo da imagem do riverrun “riocorrente”, do Finnegans Wake de James Joyce, que abriu caminhos nunca vistos antes na história da literatura, Glauber Rocha, que também é personagem em seu livro, inventa o neologismo “Riverão” e inicia uma viagem imaginária e filosófica pelas veredas nordestinas ao lado de Guimarães Rosa ou “Seo Rosa” (personagem e amigo de Glauber), espécie de guru do Sertão e feiticeiro das palavras. Tal Viagem adquire uma dimensão Cósmica que rompe com a coerência de uma lógica temporal linear/cronológica, dando lugar a um fluxo de pensamentos (conscientes/inconscientes) e ideias que referenciam inúmeras obras, acontecimentos, Sonhos, delírios, mitos, fragmentos e transes de diversos outros tempos e lugares; o que inevitavelmente se direciona para uma visão representativa de nosso país, de nosso povo e de nossa história – principalmente a do último século (Canudos, Coluna Prestes, Lampião e o cangaço, o misticismo religioso, a situação de pobreza, fome e violência, o abandono de diversas regiões do país; a seca, o descaso por parte do governo, o mito de ‘modernização’, sempre perseguido através da exploração do povo). “Riverão Sussuarana” representa o Brasil.
O objetivo primordial desta comunicação, é tentar analisar a influência do fenômeno joyceano no Brasil (principalmente FW) – tecendo comparações principalmente com a produção ficcional e poética de Glauber Rocha, mas, também, com a de outros autores importantíssimos para a recepção da obra de James Joyce em nossa literatura, como: João Guimarães Rosa (“Grande Sertão: Veredas”; “Estórias”), Paulo Leminski (“Catatau”) e Haroldo de Campos (“galáxias”). Poetas que evidentemente muito se influenciaram entre si.
Procuro demonstrar as relações estéticas, intertextuais e metalinguísticas entre as obras (invenções) – ou “works in progress” desses autores.
A experiência de leitura do “Finnegans Wake” de Joyce – o seu infinito riocorrente – foi influência determinante para a resolução estética inovadora de diversos escritores e escritoras modernos (as), e continua ecoando na linguagem da arte contemporânea.

18/06 | terça-feira

14:30

Melancolia e fracasso

Carlos Palacios (UFRJ)

A aprendizagem pelo fracasso em James Joyce

Geralmente, na literatura, o tema da aprendizagem é evocado a partir do romance de formação, também denominado “romance de educação” por Gyorgi Lukács (2000), cujo grande mote seria a busca do indivíduo pelo seu lugar no mundo. Retrato do artista quando jovem, de James Joyce, é considerado um dos grandes exemplares desse gênero, tanto que Anthony Burgess (2000) definia a trama dessa obra como a luta de uma criatura que deseja escapar de sua condição de escrava dos elementos grosseiros e prosaicos da vida terrena a fim de dolorosamente aprender a voar. A descrição de Burgess poderia nos levar a encarar o romance de Joyce como uma trajetória de superação e evolução, a partir da qual o protagonista consegue se descolar daquilo que sente ojeriza rumo ao caminho da salvação. De fato, ao final de Retrato, a vitória de Dedalus coincide com o seu aprendizado; mas talvez seja mais interessante pensar esse processo de aprendizagem por outra via, a da derrota. Há, no curso de todo aprendizado, uma decepção (Deleuze, 2003), que pode ser entendida como o reconhecimento de uma falha, seja em relação a um objeto ou a um discurso: em Ulysses, Bloom chega em casa e percebe que outro homem esteve na cama com sua esposa, deparando-se com um índice da sua incapacidade de perpetuar algum tipo de autoridade masculina em uma Dublin já distante da Ítaca de Odisseu; nos contos Os Mortos e Arábia, de Dublinenses, os protagonistas reconhecem que a paixão que sonham e imaginam possuir já carregava, desde o início, uma falha que os levam à frustração de não poderem executar o papel que tanto desejavam; em uma passagem de Retrato, quando Dedalus visita a escola onde seu pai estudou e percebe semelhanças em relação à sua atual juventude, surge o desespero de uma vida que tende a simplesmente repetir estórias passadas. Todos esses exemplos, que envolvem a experiência do fracasso, serão discutidos neste trabalho, de modo que seja possível encarar a aprendizagem como um processo de reconhecimento das limitações, por meio do qual o indivíduo descobre que para se encaixar no universo que deseja é necessário, acima de tudo, compreender aquilo que se encontra ausente.

Diogo Ballestero Fernandes de Oliveira (UFRJ)

Bloom: a melancolia identitária

O escritor irlandês James Joyce publicava em 1922 aquela que viria a ser sua obra mais importante: Ulysses, obra basilar para muitos aspectos e questões próprias da modernidade. Nossa inserção de leitura será guiada pelo psicanalista Sigmud Freud, sobretudo em suas considerações a respeito da melancolia, e a respeito do desejo de morte e repulsão pela morte por parte do homem, e de que maneira essa relação com a morte condiciona o estar do homem no mundo. O personagem eleito para nossa reflexão será o protagonista da narrativa, Leopold Bloom, em sua trajetória de um dia por Dublin, acompanhando de perto as suas reflexões acerca da própria existência, metonímia da existência do homem moderno. A reflexão de maior interesse será aquela em torno da dualidade vida/morte, geradora da melancolia caracterizadora de todos nós, sujeitos modernos.

16h

Linguagem e erro

Camille Gonçalves Vilela dos Santos (Florida State University)

Dedalus e Bloom: Linguagem e Identidade em Ítaca

Em Ulisses (1922), os dois personagens principais, Leopold Bloom e Stephen Dedalus, tem biografias e identidades que parecem ser, à primeira vista, quase opostas. Porém, ao analizarmos as culturas judaica e irlandesa é possivel estabelecer paralelos e disparidades entre as culturas e, por consequência, entre os personagens. Entretanto, com o propósito de ir além de uma análise cultural, é importante analizar os personagens Bloom e Stephen e suas identidades e traços em comum em termos das heranças linguísticas de Israel e Irlanda, já que Bloom é um personagem judeu e Stephen, irlandês. Como judeu, a herança linguística de Bloom é o hebreu, enquanto que a do Stephen é o irlandês. Ambas línguas são antigas e carregam uma longa história que também traz semelhanças em vários aspectos. Através de uma análise linguística histórica, é o objetivo dessa comunicação determinar a compatibilidade e integração complementar das identidades desses dois personagens. James Joyce contrói vários paralelos entre as culturas dos personagens e seus países, o que justifica e instiga o tópico aqui desenvolvido, que se limitará à análise do impacto das heranças linguísticas dos personagens principais nas identidades e personalidades de Bloom e Stephen de acordo com o episódio Ítaca.
Ítaca contém uma narrativa catequista, um conteúdo revelador e o fato que une os personagens Bloom e Stephen em um ambiente quieto onde os dois podem interagir honesta e francamente pela primeira vez, o que evidencia a identidade binária dos personagens através da exibição de sua história cultural e herança linguística. Além disso, nesse episódio, os personagens também compartilham seus conhecimentos linguísticos enquanto eles literalmente escrevem versos em hebraico e irlandês para acharem semelhanças entre suas línguas. Apesar dessas semelhanças serem poucas sintaticamente, em termos de história esses dois idiomas tem vários aspectos em comum que também contribuem para as identidades de Bloom e Stephen. Portanto, esse capítulo de Ulisses traz a língua como elemento de elo entre os personagens enquanto eles conversam cara a cara pela primeira vez na narrativa descobrindo o quanto tem em comum um com o outro. Trata-se, portanto, de um episódio revelador e que possui um climax narrativo, já que os personagens, depois de andarem por Dublin o dia inteiro, finalmente se encontram e interagem diretamente. Ao analisarmos as línguas por trás das identidades desses personagens, evidenciamos a conexão entre língua e identidade e possibilitamos novas esferas de caracterização desses personagens através de pontes que podem então serem contruídas entre eles. Essa conexão também implica uma aproximação política de Bloom e Stephen, cujas identidades linguísticas são profundamentes marcadas por serem de comunidades marginalizadas dentro do contexto ocidental da Irlanda no início do século vinte.

Leonardo Apolinário Alves de Lima (Doutorando PPG Ciência da Literatura da FL/ UFRJ )

James Joyce e o lapso do significante

Há uma tensão ente a estética da imitação presente na tradição do romance inglês e a estética joyciana do corte e da lacuna. Essa tensão somada ao lapso do significante é o nó sobre o qual este trabalho se detém.
Lapso, do termo latino lapsus – um escorregão, uma queda, um engano, um erro . Diante do signo e do significado, do significante e da enunciação a escrita de James Joyce insurge, erra, escorrega e cai. Cai de que lugar? É aqui que nos perguntamos se a escrita de Joyce, sempre insubmissa ao significante e a sintaxe, pode ser entendida como liberdade.
De fato Joyce empreende um projeto estético centrado numa escrita lacunar que lança o leitor na leitura, que na melhor das hipóteses será sempre provisória e, por vezes, na leitura impossível como diz Seamus Deane editor de Finnegans Wake: “A primeira e importante coisa a ser dita sobre Finnegans Wake é isto, é ilegível ”. A que tal ilegibilidade aponta? Para onde a queda nos leva? É possível que Finnegans Wake ou mesmo “Os mortos”, conto de Dublinenses, sejam índices de uma escrita que recusa um projeto totalitário de leitura. O totalitário que lê tudo, que entende tudo, que sempre tem algo a dizer sobre tudo, que a tudo atribui sentido e significado. O totalitário não se engana, não erra, não cai.
É esse escorregão, é nessa insubordinação a leituras totalitárias do texto literário que Joyce toma como objeto. A isso chamamos de lapso enunciativo para dizer alguma coisa na ilegibilidade. Para dizer na liberdade que há na insubordinação ao signo e ao significante.
Para dizer alguma coisa, para que alguma coisa apareça na enunciação, Joyce esvazia a língua. Seca seu volume na prática da homonímia. Joyce “faz evoluir a língua fazendo secar as velhas formas”, como observa Lacan. Nesse esvaziamento do volume está o dizer joyciano. Um dizer que apela contra a língua. Um passar da letra para o dizer a contrapelo. James Joyce e o lapso do significante propõe o texto literário como ponto de partida para a reflexão sobre o corte que interrompe a aura de imitações e que aterroriza uma leitura totalitarista da literatura que teme implicações textuais opacas e ironias não resolvidas como nos parece ser o texto joyciano.

20h

Quase Bloomsday

+ Informações

Mapa da Faculdade de Letras e arredores

Informações sobre transportes

Ônibus passam regularmente até 21:30. Após esse horário os intervalos tornam-se irregulares. Os últimos ônibus passam aproximadamente às 22:20 (ônibus que faz integração com o metrô). Há um ponto de táxi diante da Faculdade, após 18h é necessário requisitar táxi na portaria. Mais informações sobre transporte na paǵina da Faculdade de Letras. Há linhas de ônibus da própria UFRJ que fazem integração entre a Ilha do Fundão e várias partes da cidade. Horários e pontos de saída podem ser conferidos aqui. O tempo de viagem a partir do Centro/Zona Sul do Rio é de cerca de 1h de ônibus (incluindo baldeação) e cerca de 30 minutos de carro (o tempo dobra na hora do rush). O tempo de viagem a partir da Zona Oeste é de cerca de 1:30 de ônibus (incluindo baldeação) e cerca de 45 minutos de carro (o tempo dobra na hora do rush). O tempo de viagem a partir da Zona Norte do Rio é de cerca de 1:30 de ônibus (incluindo baldeação) e cerca de 30 minutos de carro (o tempo dobra na hora do rush).

Sobre certificados aos ouvintes

Serão concedidos certificados de participação aos ouvintes equivalentes a 1 hora/sessão ou conferência, autenticado por lista de presença. Será concedido um certificado de participação no encontro equivalente a 12 horas para ouvintes com presença em 9 sessões.